Conceituando #5 – Valquírias

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Uma de nossas obras, A Senhora do Fim do Mundo, é inspirada em uma mitologia bastante conhecida ao redor do mundo: a nórdica. A infinidade de textos, livros, quadrinhos e filmes baseados nos aesir Odin, Thor e Freya não são poucos. Todavia, existem seres bastante interessantes que não obtiveram muitas menções na literatura. Hoje, vou falar de um deles, e que por um acaso intencional ( 😛 ) é o protagonista d’A Senhora do Fim do Mundo: as Valquírias!

Preparem as pipocas e os refrescos, e bora aprender!

O que é uma valquíria?
Valquírias eram poderosas guerreiras
Valquíria - Sanjulian

Na mitologia nórdica, uma valquíria (do Nórdico Antigo “valkyrja” – “quem escolhe os mortos”) é uma dentre uma legião de mulheres que, como o próprio nome sugere, escolhe quem deve morrer ou viver em batalha. Ao selecionar metade dos que morrem em batalha (calma, a outra metade não vai pro nada, eles são direcionados para o Fólkvangr, um campo cuidado por Freyja, mas esse aí fica para outro dia), as valquírias levam seus escolhidos para o local pós-vida conhecido como Valhalla, o qual é controlado por Odin.

As valquírias podem aparecer em histórias como sendo amantes de heróis e outros seres mortais. Também, são algumas vezes relacionadas a cavalos e cisnes. Às vezes aparecem acompanhadas de corvos.

Valquírias aparecem na Edda Poética (um livro de poemas que foi compilado no século XIII), na Edda em Prosa, no Heimskringla (ambos por Snorri Sturluson, uma referência bem grande em relação a mitologia nórdica) e na Saga de Njal (uma das Sagas dos Islandeses), todas escritas — ou compiladas — no século XIII.

Como funcionavam as escolhas?

Bom, primeiramente precisamos entender que a imagem que é pintada atualmente sobre as valquírias, sempre enaltece as principais e boas qualidades dessas guerreiras. São na sua maioria das vezes, nobres damas que carregam os mortos para Valhalla, como se apenas servissem como espíritos ajudantes de Odin para trazer os seus preferidos, os quais lutariam no Ragnarök (o fim do mundo da mitologia Nórdica) ao seu lado.

Valquírias e Heimdall
Heimdall encontra valquírias chegando em Asgard com um homem morto (1906). Por: Lorenz Frølich

Como na imagem acima, podemos perceber que a pintura remete às características agradáveis, honestas e boas das valquírias. Mulheres que carregam um pobre homem para o paraíso dos guerreiros! O que um homem daquele tempo precisaria mais do que isso?

Não me entenda mal, as valquírias possuíam estas características. No entanto, nos tempos pagãos, as coisas eram um pouquinho diferentes: elas eram bem mais sinistras.

O significado do nome delas, lembra? “Quem escolhe os mortos”, refere não apenas a quem vai ganhar o convite para entrar na festinha que é Valhalla. O significado é bem literal; as valquírias usavam magias maliciosas para que suas preferências de quem deveria morrer naquele momento fossem atendidas. Exemplos de valquírias decidindo quem vive ou morre existem aos montes nas Eddas e Sagas.

O lado cruel das valquírias são ilustrados de forma nítida em Darraðarljóð, um poema contido na Saga de Njál. Nesse poema em questão, doze valquíria são vistas antes da Batalha de Clontarf, sentadas em um tear, onde passam a tecer o destino trágico dos guerreiros (uma atividade que lembra muito as Nornas, senhoras do destino Nórdico). Elas usam intestinos como fios, cabeças decepadas como pesos, e espadas e flechas como batedor/sarrafo; tudo isso enquanto cantam suas intenções com um prazer perigoso. A Saga dos Volsungs compara a contemplação de uma valquíria como “encarar chamas“.

Valquírias na caçada selvagem
Åsgårdsreien - A Caçada Selvagem (1872) - Nicolai Arbo

Essa imagem sangrenta das valquírias é confirmada se olharmos para o folclore dos outros povos germânicos da época. Entre os Anglo-saxões, por exemplo, as valquírias (no Inglês Antigo wælcyrie) eram espíritos femininos da carnificina. Os Celtas, os quais os Nórdicos e outros povos germânicos entraram em contato numa troca cultural gigantesca por séculos, possuíam seres parecidos, como as deusas da guerra Badb e Morrigan.

Não importa quais das modalidades de valquírias estamos falando; seja a amigável ou a sangrenta. As valquírias são entendidas hoje como parte de um complexo dinâmico de xamanismo que permeava a religião germânica pré-cristã. Afinal, como os corvos Hugin e Munin, as valquírias são projeções de partes de Odin, tornando-se indivíduos semi-distintos de um ser maior e mais poderoso.

As valquírias em A Senhora do Fim do mundo
Valquírias em um cavalo branco
The Valkyrie - Eve Ventrue

Na obra A Senhora do Fim do Mundo, optei por manter uma visão balanceada de como as valquírias são retratadas. De forma geral, elas seguem os moldes dos tempos pagãos, em que decidem quem vai de fato morrer ou não.

Um exemplo é quando a protagonista, a valquíria chamada Zero, sai em uma caçada, indo parar em um campo de batalha. Ali, ela pondera e decide quem merece ir a Valhalla, diferente de algumas outras visões onde as valquírias são apenas espíritos responsáveis por levar os homens a Valhalla, como Odin ordena.

Todavia, não envolvi coisas muito cruéis, como intestinos para tecer o destino (hehe), afinal, isso eu deixo com as Nornas (relaxa, falarei mais delas no próximo post).

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Até mais!!

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