Caçador – Capítulo 6: Revelações

 

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Revelações


O som da coruja se misturava, no alto da copa de uma árvore qualquer, com a respiração ofegante da garota seminua que corria pela floresta de Queimada. Vez ou outra, a jovem voltava seu olhar para trás. Suas lágrimas de medo mesclavam-se com o sangue em sua face, enquanto uma folha teimava em ficar entre seus cabelos desgrenhados.

Três segundos era o tempo que ainda possuía de vida. A última coisa que conseguiu pensar, antes de ter as presas afiadas de seu caçador em seu abdômen, era o arrependimento de ter ido acampar escondido de seus pais.

Seu grito ecoa pela floresta enquanto luta contra a dor e a coisa que estava sobre si. A besta lança suas garras em direção ao pescoço da adolescente, rasgando-o.

— Essa sua mania de brincar com sua presa antes de matá-la ainda te dará uma dor de cabeça, Taylor. — Uma mulher negra com cabelos cheios e encaracolados surgiu em meio às árvores observando seu colega segurar os cabelos da jovem entre suas garras.

Logo, o lobisomem volta vagarosamente a sua forma humana. Seus ossos emitem sons ocos, como se estivessem voltando ao seu devido lugar.

— O que posso fazer? É divertido ver a expressão que fazem quando estão diante da morte. — Suas palavras iniciais saem alteradas, enquanto seus olhos exibiam pupilas dilatadas e um brilho de pura satisfação.

— Que seja. — a mulher inspira profundamente o ar. — Consegue sentir?

— Senti antes mesmo de entrar na cidade. 

— Eles realmente estão vivendo nesse fim de mundo. — A desconhecida finca suas garras na superfície de uma árvore. 

— O que faremos? Vamos atrás deles?

— Não… — Ela prolonga sua fala. — Sabemos que Nicola não trabalha dessa forma. — Olhando de soslaio para Taylor, ela começa a voltar na direção contrária da cidade. — Vamos entrar em contato e esperar pela segunda ordem. 

Taylor larga o corpo no chão e segue sua parceira que ria maldosamente. Samara, mais do que ninguém, sabia como Nicola agia. E seus métodos eram o que ela mais adorava neste mundo. 

— Isso será divertido.

 

***

 

Olho em meu relógio. 

Já estavam dois minutos atrasados. 

Kalina e David combinaram de me encontrar na biblioteca da cidade. Disse à dupla que tínhamos um trabalho de pesquisa. 

Pergunto-me se não estou sendo precipitado em trabalhar juntamente com dois lobisomens desconhecidos. Ter sido transformado pelo Victor, não é motivo o bastante para gerar confiança. Talvez seja um erro fazer isso, no entanto se mandá-los embora, serei caçado e não terei chance alguma contra Nicola.

Avisto-os vindo em minha direção. Ambos trajando um casaco com o capuz sobre as cabeças.

Ao se aproximarem, fitam a minha expressão sem entender direito o que ela significava.

— Se a intenção de vocês era passar despercebidos, falharam terrivelmente. Estão muito suspeitos com esse capuz. Ainda mais você com esses óculos de sol em um dia totalmente nublado. — Digo, encarando os óculos de David. 

— O que estamos fazendo aqui? — Kalina diz retirando seu capuz e analisando o nome da biblioteca no alto do grande e antigo edifício.

— Iremos procurar algumas informações. Acompanhem-me. — Subo os degraus iniciais da enorme escada. — Como disse ontem, esta cidade não é uma cidade normal.

— Pode começar nos explicando essa parte. — Kalina põe-se a andar ao meu lado.

— É claro que confirmarei minhas suspeitas agora. Porém, antes de vir para cá com meus irmãos, entrei em contato com um rapaz chamado João, um apaixonado pela cultura da cidade. Vi em seu blog, as histórias sobre os Jesuítas e suas missões aqui no Rio Grande do Sul. Em algumas de suas postagens, João relatou que alguns dos livros clericais deixados por um grupo Jesuíta relatava a aparição de monstros semelhantes a Lobos. Bestas malignas enviadas pelo inimigo de Deus, segundo eles.

— Eu disse que era perda de tempo, Kalina. Há várias lendas e mitos sobre lobisomens na cultura do Brasil, todos sabem disso.

Abro a porta principal que direcionava os convidados para a recepção.

— Não discordo de você, David, mas, os livros relatam mais uma coisa. — Ele me olha irritado. — A existência de outro grupo na história. Chamado: Rotes Geschwader. Traduzindo para o português, A Esquadra Vermelha. Pelo que João me explicou era um tipo de organização secreta que caçava monstros.

— Isso não deve ser verdade. — Arqueio uma de minhas sobrancelhas para o rapaz.

— Há alguns meses eu achava que vocês eram apenas lendas e aqui estou eu. Além do mais, na primeira vez, quando eu estava apontando uma arma para vocês, a primeira coisa que me chamaram foi de… Caçador. — Direciono-me para a recepcionista. — Gostaria de conversar com o senhor João Sousa, tenho uma hora marcada com ele.

— Só um segundo. Como o senhor se chama? — Ela diz colocando o telefone no ouvido enquanto mascava seu chiclete despreocupadamente.

— Misael.

— E o que espera encontrar nestes livros? — Kalina sussurra perto de meu ouvido.

— Se realmente existiram caçadores nesta região, deve estar registrado as formas como eles matavam suas caças. E talvez isso nos dê algum auxílio.

David ri incredulamente, mas não tenta contrariar minha ideia. Ele sabe que não temos muitas opções.

— Senhor Misael?

Viro-me em direção a um rapaz rechonchudo que usava óculos com lentes redondas. 

Sua aparência lembrava meus colegas do ensino médio. Não tive tempo de me despedir de ninguém, não que fizesse muita diferença, mas saber que não teria mais uma vida normal fazia com que questionasse a mim mesmo se tomei as decisões certas. 

— É um prazer. Sou o João.

— É um prazer João.

— Para ser sincero, esperava alguém mais velho. — Ele franze sua testa para mim. 

Rio, disfarçando a situação.

— Esses são meus irmãos. David e Kalina. — Falo, apontando para os dois atrás de mim. — Esse é o João, historiador da cidade de Queimada. Contratei os serviços dele por um dia. Então, vamos aproveitar toda informação que ele tiver para procurarmos a genealogia de nossa família. — Fico sorrindo forçadamente para os dois.

Demorou um pouco para a dupla entender meu jogo, mas logo, desconcertados, começaram a atuar como meus queridos irmãos.

— Ótimo. Sigam-me. — João gira seu corpo andando em direção a um corredor amplo.

— Você contratou esse cara? — David pergunta, curioso.

— Sim. Demoraríamos demais procurando sozinhos.

Os dois seguem-me em direção à porta que João segurava. 

Entramos em uma ampla sala. O cômodo apresentava seis corredores com livros que preenchiam todas as estantes.

João continua a andar. 

— Fiquei horas procurando as respostas para seus questionamentos. Para falar a verdade, dentre todas as minhas postagens e pesquisas, essa foi a que mais me deu prazer e emoção ao escrever no blog. A história de nosso país é rica. E não poderia ser diferente aqui na cidade de Queimada. Sorte que a maior parte dos manuscritos Clericais se encontra aqui. Você disse que tinha suspeitas de ser descendente do Jesuíta Miguel Pereira?

— Isso. Parece até estranho, pois sua devoção deveria ser maior que sua vontade de ter filhos. — Ironizo.

— É verdade. Os Jesuítas possuíam três votos principais: a pobreza, a castidade e a obediência, no entanto também havia um quarto voto, que reforçava a obediência. Se os manuscritos estiverem corretos, esse quarto voto era voltado para a organização oculta que menciono no blog.

— Então esses membros da Esquadra Vermelha pertenciam à Igreja? — Questiono enquanto ele pede para nos sentarmos.

João sobe em uma enorme escada e pega um pergaminho dentro de um tubo no alto de uma das estantes.

— Não especificamente. O Rotes Geschwader era um grupo isolado, totalmente desligado da igreja. — Ele estende o pergaminho a nossa frente. — Acontecia que a organização recrutava alguns Jesuítas capazes de lidar com as forças da escuridão. Muitos Jesuítas pertencentes à Esquadra Vermelha vieram para o Brasil. E segundo os livros foram em diversos locais do país.

— E em qual estante devemos procurar? — Kalina pergunta.

— Em todas estas. — João meneia sua mão levemente indicando a sala.

Arqueio minhas sobrancelhas.

— Mas com sua ajuda poderemos diminuir o tempo de pesquisa.

— Sim. Temos também um sistema de pesquisa interno, não será difícil encontrar o que procuram. Vou pegar o Notebook na recepção. — João sai apressadamente.

— Tirem uma dúvida minha. — Os dois olham-me atentamente. — Vocês conhecem alguma organização de caçadores nesse mundo?

David me olha de forma desconfiada.

— Não há uma organização específica. O que resta da linhagem de caçadores caça apenas lobisomens que matam humanos. Ainda há caçadores que generalizam todos os lobisomens, nos rotulando como bestas descontroladas. — Kalina cruza seus braços. — Porém, é muito difícil encontrar um. O que não nos impede de tomarmos todo o cuidado em lidar com os que existem. É um grupo que não merece confiança.

João logo volta fazendo barulho com seu tênis folgado.

— O que especificamente vocês querem saber sobre o Miguel?

— Na verdade João, estamos muito interessados nessa organização que ele fazia parte, e sobre suas ações.

Ele olha, estranhando o pedido.

— Vocês não vão recriar essa organização e sair matando alguém. Vão? — Acabo demorando em reconhecer o sarcasmo em sua fala. — Brincadeira. Eu também pediria por essa parte da história. — Ele rodeia a mesa e senta, depositando o aparelho sobre a mesma.

— Bom. O que querem saber sobre a Rotes Geschwader? 

— Vamos começar com as caçadas. Procure um livro que relate as caça aos monstros da época. — João digita rapidamente no teclado e logo está de pé em busca da estante correta. Ele desaparece em meio aos corredores, mas logo volta trazendo um enorme livro.

Jogando-o na mesa, o historiador abana enquanto tossia com a nuvem de fumaça que saiu do bolo de papel.

— Já falei para aquela garota limpar as estantes. — Creio que deva estar se referindo à recepcionista. — Vejamos… Aqui há relatos sobre alguns dos monstros mortos, as localidades das caças, algumas formas de matar lobisomens, os nomes das pessoas mortas na época, algumas tumbas feitas pela Esquadra Vermelha… O que escolhem?

— O que são essas tumbas? — Questiono.

— Sinceramente, eu não sei. A Esquadra realmente era uma organização muito privada, então essas informações mais internas não deveriam vir a público.

— O que você acha que deve ser? — Fixo meu olhar nas páginas do livro. Um português arcaico em uma letra preguiçosa permanecia desenhada no papel amarelado.

— Como assim? — João tenta compreender minhas palavras.

— Você é um historiador João. — Ergo meu olhar e apoio uma de minhas mãos na cintura. — Viver apenas pelos fatos deve ser algo chato. Sei que possui teorias sobre as partes da história que não consegue encontrar. 

Sua expressão demonstra surpresa.

— C-claro. Possuo minhas especulações, mas não passam disso. 

— Quero ouvi-las. Diga-me, o que acha que são essas tumbas?

Ele alterna seus olhos entre seus convidados nervosamente.

— A-acho que se esses monstros realmente existiram, o resto dos corpos deveriam ser isolados em algum lugar. Creio que esses lugares são essas tumbas. Ou talvez sejam lugares onde os membros eram velados.

— Ótimo. — Sorrio. — Sabe se existe alguma tumba aqui em Queimada? 

— Possivelmente sim. — Ele coça sua barbicha. — Espere aqui. — João sai correndo mais uma vez em direção à recepção.

— O que pretende fazer? — Kalina pergunta.

— Ainda não sei. Vamos ver o que ele tem. Se essas tumbas realmente existem, deve haver algo que seja útil nelas.

João volta com um papel dobrado em mãos. Ele puxa o livro para mais perto de si. Seu entusiasmo era evidente.

— Quando estive pesquisando sobre essas tumbas, acabei me frustrando por não conseguir nada. De alguma forma, a Rotes Geschwader teve todo o cuidado para ocultar a existência dessas tumbas, ou melhor, dessa tumba.

Aproximo-me do livro. Uma folha em branco no livro mostrava apenas um pequeno ponto negro. João deposita outra folha sobre o livro, de papel manteiga. Em sua superfície estava desenhado um mapa a mão.

— Não são tumbas. Acho que há apenas uma. E está aqui. Em Queimada.

Por alguma razão essa informação não me deixou confortável ou esperançoso.

— Bom trabalho. Envie-me isso por e-mail depois, por favor. Agora, fale-nos sobre as formas de matar um lobisomem. E não me venha com a prata… — Ironizo enquanto dou uma olhada nos meus dois acompanhantes desconfortáveis. A informação da tumba não deve ter sido algo legal de se ouvir.

— É difícil falar de lobisomens e não os relacionar à fraqueza pela prata, mas não há somente isso, existe o acônito. Uma planta de origem grega. Segundo um dos manuscritos do Miguel Pereira, o acônito era bastante usado. Mais para mostrar a maldição que o indivíduo possuía.

— Como assim?

— Pelo que parece os lobisomens eram sensíveis a essa planta, e quando entravam em contato com ela, sinais de sua forma demoníaca eram evidenciados. Eu tomei a liberdade de nomear os membros da Esquadra Vermelha com o nome dessa planta, mas não é nada oficial. 

— E qual seria esse nome?

— Wolf’s bane. É traduzido como…

— Maldição do lobo… É um bom nome.

João sorri.

— Mas há algo sobre uma arma também. Há somente uma menção sobre ela. Uma informação muito superficial.

— Tudo bem. Então há o acônito, a prata e essa arma desconhecida. — Repasso as informações em voz alta.

— Sim. E quando caçar um trate de retirar o coração ou cortar a cabeça. Eles regeneram membros inteiros. Isso se você encontrar um. — João diz, olhando sobre as lentes dos óculos.

— Pode deixar. Acho que por hoje foi o bastante João. Agradeço pelo seu conhecimento. Insisto que me envie o mapa ainda hoje. 

— Enviarei após levá-los até a saída. — João fecha o notebook e nos acompanha até a recepção. A recepcionista sorri para nós, ainda mascando o mesmo chiclete. — Espero ter ajudado a encontrar as informações que gostariam. Por mais que eu ache que elas não vão esclarecer a linhagem do Miguel, fico feliz em ajudá-los.

— Pelo contrário, João. Essas informações foram muito úteis. Não se preocupe.

Encabulado, ele se despede. 

Kalina e David ainda permaneciam em silêncio. Um perturbador para falar a verdade.

— O que estão pensando? — Descendo as escadas percebo que a dupla é desperta de seus questionamentos.

— Você pretende ir até a tumba, não é? — David pergunta.

— Óbvio que sim. — Paro e encaro a loira e seu colega. — Vocês mesmo disseram que tem um lobisomem maluco vindo para esta cidade caçar meus irmãos. Não posso ficar parado esperando pela morte. Se há um jeito de lutar contra eles, então lutarei.

— Tudo bem. — Kalina comenta e David estranha sua fala. — Quando iremos procurar essa tal tumba?

— João me enviará o mapa hoje. Deem-me seus números, entrarei em contato.

Descemos os últimos degraus da escada. A praça frente à biblioteca estava movimentada. Barracas e enfeites embelezavam a cidade já fazia alguns dias.

— Talvez amanhã seja uma boa hora para agir.

 

***

 

Chego em casa e deposito a chave do carro sobre a mesa da sala.

Bufo fechando a porta. 

O cansaço toma força sobre o meu corpo.

— Pensei que ainda não tinha idade para dirigir.

— Merda! — Dou um grito abafado. — O que faz aqui? — Olho meu tio sentado em uma poltrona no escuro. — Parece até uma assombração.

Ele ri alto enquanto acende uma luz.

— Vim ver meus sobrinhos.  O preferido primeiro. — Cerro meus olhos para ele. Mesmo dizendo para não se preocupar, cá estava ele. — Já te disse para procurar um profissional. Seu complexo de tio está ficando pior. 

Ele ri mais uma vez e anda em minha direção, abraçando-me.

— Como você está? — Ele se afasta e segura meus ombros, olhando bem nos meus olhos.

Encaro seu rosto jovial. Tio Ben mesmo sendo o irmão mais novo sempre se preocupou com o bem estar da família. Vejo-me nele algumas vezes.

— Bem. Na medida do possível.

— Sabe que pode me contar qualquer coisa, não sabe? — Olho diretamente para seu rosto e faço o que venho fazendo há muito tempo.

— Não há nada para contar, Tio.

— Claro que há. Por exemplo, a ausência de seus irmãos na nova casa. — Meus músculos tensionam.

— Eles estão em um acampamento. Um acampamento de sobrevivência.

— Aqueles quatro? — Tio Ben ergue as sobrancelhas.

— Difícil de acreditar, mas é a verdade.

Ele ri. Um riso curto e controlado, expressando conformidade momentânea.

— Bom, vim aqui para vê-los. Mas não posso esperá-los. Hoje tive um dia de folga na G-Tech, amanhã voltarei para a empresa. Fico me perguntando como Elizana e meu cunhado aguentavam essa vida de empresários. — Sorrio, escorando o corpo na parede. — É melhor ir para não chegar atrasado no aeroporto.

— Ok. — Caminho com ele até a porta. — Tome cuidado durante a viagem. 

— E você se cuida. — Ele me abraça mais uma vez e começa a descer as escadas, no entanto para e me olha mais uma vez. — Não carregue toda a responsabilidade, Misael, tente viver uma vida… Normal. — Sorrio concordando.

Infelizmente não dá, Tio Ben.

Fecho a porta e guio-me até meu quarto.

A única coisa que tentarei fazer agora é descansar.

 

Benjamin senta-se no banco motorista do seu sedan. Os vidros escurecidos protegiam a sua visão contra os últimos raios solares do dia.

Passando a marcha, Ben movimenta o carro pela pacata rua.

— Podem começar a me atualizar. — Benjamin olha pelo retrovisor interno e encara Kalina e David sentados no banco traseiro. Ambos olhando perdidamente para o nada.

— Seu sobrinho é uma pessoa peculiar. — Kalina mantém contato com Ben.

— Ele está se metendo em encrenca, isso sim.

— Não seja ingênuo, David. Misael e os meus sobrinhos estão atolados em toda essa merda. Não o culpo por querer se proteger e proteger os irmãos.

David remexe-se incomodado.

— O que descobriram na biblioteca? — Benjamin vira em uma esquina e começa a parar o carro.

— Há algo debaixo da história dessa cidade, relatos de caçadores e de lobisomens há anos. Misael acha que pode haver algo que ajude a impedir Nicola. 

— Entendo. — Benjamin bate os dedos no volante.

— O que faremos? 

— Continuem junto dele. Vejam no que isso vai dar. E não se esqueçam de mantê-lo vivo. — Um frio passa pelo corpo dos dois lobisomens ao ver o olhar amedrontador no retrovisor.

— S-sim senhor. 

— Não posso permitir que o desmiolado do Nicola tire de mim o que restou de minha família. Se ele quer achar o culpado pela morte de seu irmão, terá que ser longe dos meus sobrinhos.

Os dois saem do carro, e antes que vá, Ben abaixa um dos vidros.

— Estarei investigando a morte de Victor. Se é o culpado que Nicola procura, então acharei o caçador que causou a morte do irmão dele. 

Kalina e David concordam e enquanto Ben saía da vista da dupla. Ambos colocam seus capuzes e andam pela calçada em meio ao sereno, enquanto as primeiras estrelas apareciam no céu de Queimada.

 

***

 

— Então vocês os acharam? 

Lívia permanecia com seus olhos vendados enquanto ouvia a conversa de seu sequestrador ao seu lado. Ela sabia que estava dentro de um veículo, pois em determinados momentos se assustava com trombadas no caminho.

— É uma boa notícia. Estamos a caminho, iremos levar alguns dias. Vou encontrar alguns antigos colegas. Enquanto isso podem se divertir pela cidade. Apenas não toquem neles.

Lívia estremece diante do alerta na última frase do desconhecido. 

— Bem, querida. Acho que temos um longo caminho pela frente, não é? — Nicola segura a mandíbula de Lívia, enquanto retira o pano que encobria seus olhos. A garota confirma suas suspeitas ao observar a traseira da van.

Ele a solta rindo do medo em seus olhos. 

— O que você fará com o Erik?

— Isso ele que irá decidir. Eu quero apenas algumas informações. — Nicola caminha em direção ao motorista que fala algo que Lívia não consegue ouvir.

— O que fará comigo? 

— Você? — Nicola encara friamente o rosto pálido de sua prisioneira. — Você será a minha garota de recados.

O sorriso que Lívia encara faz sua espinha gelar.

“Merda, Erik.”

 

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